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Transição para a agroecologia: Agricultura Familiar e Camponesa cobram projeto do estado

transicao para a agroecologia

A proposta, entregue ao governo de Santa Catarina, prevê investimentos na ordem de R$ 23 milhões para atender pelo menos 2 mil famílias catarinenses que estão em transição para a agroecologia.

 

Em 2020, a busca na internet pelo termo “como aumentar a imunidade” subiu 136% nos três primeiros meses da pandemia, segundo o Google Trends Brasil. Não é coincidência que, naquele mesmo período, o Instituto Mapa constatou que 48% dos catarinenses pretendiam investir mais em alimentação orgânica.

Aires Niedzielski, agricultor familiar e técnico em agropecuária e agroecologia, é testemunha dessa tendência. A família, que produz mais de 70 produtos agroecológicos em sua propriedade no interior de Porto União-SC, confirma que a procura por comida saudável vem crescendo de maneira bastante acentuada após o início da pandemia, o que justifica o movimento de transição para a agroecologia que vem acontecendo na Agricultura Familiar do estado.

“Notamos que a busca pelos nossos produtos mais que dobrou em 2021, o que prova que a agroecologia é real e possível”, comenta o agricultor sobre a produção anual da família, que vai desde folhosas, tomate, pepino, melancia, abóbora, milho, feijão, cenoura, beterraba, vagem, entre outros alimentos agroecológicos que são entregues para a merenda escolar e comercializados em um circuito regional de feiras, que vai de Porto União a Joinville.

familia em transicao para a agroecologia
Aires e Madalena produzem diversas variedades de alimentos agroecológicos (Divulgação/FETRAF-SC)

O papel do Poder Público

Em 2021, Santa Catarina contava com 1.640 unidades de produção orgânicas cadastradas, segundo a Epagri; número este que era 30% menor em 2019.

O Campo Unitário e as organizações da Agricultura Familiar e Camponesa confirmam que existe um interesse crescente de agricultores e agricultoras familiares aderirem a essa tendência de produzir alimentação saudável, porém, ainda há muitas barreiras técnicas e financeiras.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Catarina, FETRAF-SC, é uma das entidades que compõem o Campo Unitário, e avalia que faltam investimentos na transição agroecológica catarinense, “o agricultor familiar precisa de insumos, mas também precisa de orientação técnica para fazer a transição da sua produção”, pontua o coordenador geral da Federação, Jandir Selzler, que esteve em Florianópolis junto com as entidades do campo, nos dias 4, 5, e 6 de outubro, em agendas com o governo do estado.

Projeto de transição para a agroecologia

Na oportunidade, os representantes das organizações entregaram ao secretário adjunto da secretaria de Agricultura de Santa Catarina, Ricardo Miotto, um projeto que prevê o investimento de R$ 22.864 milhões para incentivar, na prática, a produção orgânica e agroecológica no estado.

A legislação catarinense já prevê uma política estadual de incentivo à produção agroecológica, que obriga o governo a criar medidas de fomento a essa modalidade. Segundo a Federação, o projeto entregue pelas entidades do campo é um caminho inteligente e seguro para instrumentalizar essa Lei, “a ideia é que este projeto comece a funcionar já no início de 2022”.

Entidades trazem duas propostas

As organizações do campo pedem que o governo do estado instrumentalize a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, que virou Lei em SC em setembro último, com os seguintes investimentos:

  • R$ 10 milhões para a montagem dos kits, que incluem adubação orgânica, sementes de cobertura, pó de rocha, calcário, fosfato e análise de solo;
  • R$ 12.864 para a contratação de técnicos para acompanhar os agricultores e as propriedades durante um ano, além de prever feiras em todo o estado para divulgar e fomentar o consumo desses alimentos.

O objetivo, segundo as organizações, é contemplar 2 mil famílias da Agricultura Familiar de SC, sendo 2 hectares por famílias. “Este é o caminho para conseguirmos diversificar a produção e trazer alimentos de qualidade, orgânicos e agroecológicos, enfim, comida boa de verdade para a nossa população”.

 

 

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