pt Português

Findaremos hoje o ano de 2018

Escrevo para acelerar o fluxo destas horas que me separam do primeiro clique ‘Confirmar’. Dos gregos muito aprendemos sobre o tempo. Se de Chronos, fluxo continuo do qual ninguém escapa, e que a tudo e a todos devora. De Kaíros, a grande oportunidade, perde-la seria desperdiçar possibilidades. Este 30 de outubro é o nosso kairós, o dia, momento mais esperado. Nele findaremos o ano que ainda não terminou. Uma chaga maldita aberta em 2018 que alegrou-se sangrar diante de tudo e todos no fluxo continuo. – Uma noite escura de mais de mil dias.

Temos hoje a nossa final de copa, escolha entre Civilização ou Barbárie, jogo grande. Entraremos em campo pelos 700 mil mortos de Covid19 (vítimas da proposital negligência), 33 milhões de famintos, 123 milhões em insegurança alimentar e nutricional grave, 13 milhões de desempregados, salários congelados, milhões de endividados, milhares de assassinatos, 100 bilhões gastos para reeleger ódio e a grande tempestade de mentiras e manipulação. Aliás, este último, uma excelência de escala no governo atual.

Portanto, não é o dia de um voto qualquer, é o Kairós de nossas vidas, nossa capilaridade como nação, povo. É o momento oportuno para reescrever outro futuro, sem esquecer o tempo presente. O tempo que serviu o cálice amargo do triste e covarde passado dos torturadores que amordaçaram, silenciaram e esterilizaram esperanças, sonhos, o futuro de uma geração inteira sob a égide do cerceamento de liberdades e manipulação.

Mas o que eles não sabiam ou arrogantemente ignoraram, é que a coragem é substância que move os que não se cansam de lutar. Estes não morrem, eles se levantam todas as manhãs para enfrentar e vencer as batalhas que os dias lhes impõe. Eles não são feitos de desistência. Moldados em resiliência sabem esperar, forjados no movimento incessante, embalam a engrenagem do esperançar.

São estes que se levantam neste dia, para vencer a maior de todas as batalhas das últimas 1399 manhãs de incertezas vividas até aqui. Não será um dia qualquer. Será o tempo oportuno de nossas vidas. Mesmo que, nem todos queiram aceitar. Até porque, esta suscita o que muito falta em parcela da população: a capacidade de refletir, resistir e transformar um dado momento em revolução, mesmo que primeiro sobre si mesmo.

As eleições deste domingo, é a grande oportunidade para o Brasil. Precisa ser o fechamento de um ciclo, o pior em décadas. E que revelou o que há de mais degradante no ser humano, nas redes de fibra ótica, nos corações e mentes putrefatos deste tempo de insensibilidades.  E que nenhuma tragédia seria suficiente para tocar os que optaram por naturalizar a estupidez e a barbárie.

Vivemos em nosso país o tempo da pós verdade. Nos laboratórios da ‘Terra Plana’ se fabricam Ratanabás, se recriam a idade média, cruzadas da falsa fé, liberdades de intimidar e matar. Fazem da mentira a pós verdade! Já ouvi muito que reafirmar o obvio é necessidade. Cheguei a ter dúvidas! – mas no Brasil, não mais. O governo patenteou a estupidez como matéria prima da autolegitimação. E revelamos ao mundo que nosso talento não é somente futebol. Que grande, não é só o agronegócio, diverso não era apenas a biodiversidade ou a beleza de nosso litoral. – Mas que a mentira, é hoje nosso produto de excelência capital.

Envergonhado findo. Mas esperançoso, bordo palavras como gratidão. E gratidão ao Brasileiro que com seus 77 anos de idade, se dispôs a dura jornada para enfrentar a tempestade de ódio, e trazer luz sobre a noite escura que vivemos. Venceremos, porque o oposto do amor não é o ódio, e sim o medo – e nós, não nos intimidamos.

Venceremos, porque o ódio não suporta a coragem desfilando nas praças, ruas, igrejas, escolas, universidades e fundamentalmente nas Urnas eleitorais – e será nela que plantaremos as sementes fecundas de um novo país. Sementes tem história, característica, identidade, resistência, resultado e rebeldia. Se foi na aridez deste tempo que preparamos o solo para as sementes teimosas deste dia: plante, porque nada será capaz de deter o poder de uma oportuna rebeldia. Só assim viraremos o calendário deste tempo, e colheremos frutos de novos dias!

Prof. Neuri A. Alves 

Filósofo pesquisador, assessor de formação e elaboração

Facebook
Twitter
WhatsApp

Mais postagens

A Múmia e a Esfinge

O Egito tem experiência milenar com história de ‘múmias’ e ‘pragas’. E embora os tempos sejam outros, optaram por não correr riscos desnecessários. O que

Leia mais »

Este site usa cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência em nosso site.