Agricultura Familiar x Agronegócio: três diferenças fundamentais

Agricultura Familiar e agronegocio

Quando se fala em Agricultura Familiar e Agronegócio, o que não falta é confusão sobre os conceitos. Embora seja conveniente que grandes setores da economia e do agro tenham interesse em manter a falácia da equivalência entre ambos, os dois modelos não apenas são diferentes, mas incompatíveis e até opostos entre si.

Se você ainda acredita que a Agricultura Familiar é parte do Agronegócio, veja aqui 3 diferenças fundamentais que mudarão a sua visão:

Equilíbrio x descontrole

Existem contradições importantes entre a Agricultura Familiar e o Agronegócio, inclusive, quando se fala em meio ambiente e ecossistema.

Trabalhadores e trabalhadoras da nossa agricultura focam na produção de diversas culturas em extensões territoriais pequenas: a chamada policultura. Como não há necessidade de desmatar, por essência, nossa Agricultura Familiar preserva rios, solo, flora e fauna, sem esquecer de proteger os insetos polinizadores.

Essas famílias protagonizam um movimento crescente de transição para a Agroecologia, sendo as responsáveis por produzir comida de verdade e saudável para o povo.

Éder Tochetto, agricultor familiar de Seara-SC e coordenador de Juventude da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Catarina (FETRAF-SC), lembra ainda que o trabalho no campo é desenvolvido em regime de economia familiar, “significa que os membros do grupo familiar atuam de forma conjunta, dialogam, constroem e tomam decisões juntos, e isso mantém as tradições, a cultura e a identidade da Agricultura Familiar”

“Os membros do grupo familiar atuam de forma conjunta, dialogam, constroem e tomam decisões juntos” – Éder Tochetto, agricultor familiar.

O Agronegócio, por sua vez, contrapõe o modelo familiar de produção, e trabalha com monoculturas em imensos latifúndios, desmatando florestas, empobrecendo o solo, utilizando altas e crescentes quantidades de agrotóxicos, consumindo água e energia em excesso e trazendo problemas de natureza ambiental, econômica e social.

Justiça social x concentração de renda

Em poucos hectares, é possível manter produtivas dezenas de famílias de trabalhadores e trabalhadoras na Agricultura Familiar. Isso garante a sobrevivência e autonomia de mais de 5 milhões de famílias agricultoras do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e gera mais de 10 milhões de empregos, segundo o Censo Agropecuário de 2017.

A capacidade de uma trabalhadora ou trabalhador do campo de gerar renda em uma pequena propriedade é proporcionalmente maior à rentabilidade de qualquer grande fazenda. A Agricultura Familiar incentiva a economia solidária e gera mais de 70% dos empregos no campo; número que sobe para 90% em municípios de pequeno porte, segundo o IBGE.

E o agro, não gera emprego?

O Agronegócio trabalha com plantio e colheita mecanizados, reduzindo a demanda de contratações. Também, para uma monocultura ser lucrativa, um único proprietário necessita de uma grande extensão de terra, o que concentra grandes propriedades em poucas mãos.

Além disso, por conta de todos os incentivos fiscais e isenções, o agro gera poucas receitas tributárias aos municípios e estados.

Ainda que a agroindústria seja responsável pelo emprego de operários em seus frigoríficos, com fases nas cadeias de produção que exigem intervenção humana, na prática, o Agronegócio explora mão de obra barata e adoece o trabalhador. Clique para assistir o documentário Carne Osso:

capa vídeo - agricultura familiar e agronegocio

Comida de verdade X Commodities

pessoas passam fome na capital do agronegocio
Na capital do Agronegócio, o povo passa fome (Foto: Olhar Digital)

Já se perguntou por que a fome aumenta no Brasil, mesmo com números recordes no Agronegócio?

A resposta não é difícil: 70% dos alimentos que o Brasil consome vêm da Agricultura Familiar. É por isso que agricultoras e agricultores familiares são grandes protagonistas da soberania e segurança alimentar do nosso país.

Com os recentes cortes no Pronaf, no PNAE, no PAA, sem subsídios ou incentivos, com a produção mais cara e enfrentando estiagens recorrentes, esses trabalhadores não conseguem manter a produção.

O resultado é a escassez de comida de verdade e o preço alto dos alimentos disponíveis. Junte isso ao aumento do desemprego e à queda da renda do povo, e eis o motivo do avanço da fome no país.

Agro não produz comida

Na contramão da produção familiar, o Agronegócio não produz alimento para a nossa população, produz commodity: em tradução livre, “mercadoria”.  É um modelo que foca na exportação de produtos como soja e milho, e é dominado por grandes grupos transnacionais que determinam os preços, como e onde produzir.

Portanto, o agro depende exclusivamente da regulação do mercado externo, cujas estratégias de comercialização ignoram os interesses do nosso país, nossa soberania e segurança alimentar, causando ainda desigualdade, degradação ambiental e pobreza.

Agora que você entendeu essas três diferenças importantes entre Agricultura Familiar e Agronegócio, o que acha de conhecer as propostas de políticas públicas para incentivar a Agroecologia em Santa Catarina? Clique aqui.

 

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